terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ensaio nº3 - "Consumo"

Ensaio nº3 – Impropriedade Terminológica – “Consumo”

Um dicionário de Língua Portuguesa apresenta, para o verbo consumir, quase vinte variações de significados. Algumas dessas variações são pertinentes, outras são indevidamente importadas de língua estrangeira. São impróprias porque incorporam significados dos verbos adquirir, comprar e usar ao verbo consumir. Este mau uso do verbo consumir e do substantivo consumo acarreta uma grande confusão na mente das pessoas. O que era comprar agora é consumir. Aquilo que era considerado bens duráveis, bens ecológicos ou bens de conservação passaram a ser bens de consumo. É a depredação generalizada dos recursos do planeta pelo consumismo.
A confusão é tanta que passaram a considerar o consumo como sujeito gerador de direitos. Fizeram uma lei demagógica e a chamaram de Lei dos Direitos do Consumidor. Mas o que pode gerar um direito? A aquisição (comprar e pagar) ou consumir alguma coisa? È como se você chegasse numa loja de eletrodomésticos e quebrasse um aparelho de televisão todinho. Você adquiriu o direito de consumidor sobre aquele aparelho? Não. Claro que não. O direito se adquire comprando e pagando e não pelo consumo. Consumir não é comprar, não é adquirir, não é usar, não é preservar e nem conservar. Consumir é fazer desaparecer, é destruir completamente.
Não é por acaso que onde se cultiva o consumismo despreza-se a ecologia e a conservação em geral. Por outro lado quem combate o consumismo exasperadamente, cai noutro extremo tão estúpido quanto. Faz-se necessário buscar o equilíbrio sempre. Até porque todo ser vivo precisa de alimentar-se. E alimentar é consumir alguma coisa. Mas se tudo for consumido vai faltar o alimento. Os órgãos individuais entram em processo de falência e o indivíduo morre. É assim que muitas espécies desapareceram da terra. Umas porque foram totalmente consumidas e outras porque consumiram (destruíram) sua fonte de alimento. O individuo morre para servir de alimento para outras vidas. Isto é o que se chama teia vital ou interdependência geral. Essa interdependência é uma característica ou propriedade da vida e, por extensão, da sociedade. Outra propriedade da vida e da sociedade é o equilíbrio sustentável e dinâmico em todas as direções.
Sobre isto falaremos em outra oportunidade.

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